A preservação de dentes permanentes em pacientes pediátricos representa um tema central na Odontopediatria moderna e na cirurgia oral conservadora. A manutenção da arcada dentária em desenvolvimento impacta não apenas a função mastigatória e fonética, mas também o bem-estar psicossocial e a estética facial ao longo da adolescência. Nesse contexto, a tomada de decisão quanto ao manejo cirúrgico de lesões císticas odontogênicas em crianças requer planejamento cuidadoso, avaliação de risco e consideração das alternativas terapêuticas disponíveis.
Entre essas lesões, destaca-se o cisto folicular inflamatório, entendido como uma variação inflamatória do cisto dentígero. Nos quadros pediátricos, frequentemente está associado à necrose pulpar de dentes decíduos — processo que desencadeia liberação de mediadores inflamatórios capazes de estimular o aumento do folículo pericoronário do dente permanente sucessor, criando uma cavidade cística expansiva. Radiograficamente, essas lesões apresentam-se como áreas radiolúcidas uniloculares, bem delimitadas e envolvendo a coroa de dentes permanentes inclusos, podendo promover reabsorção radicular dos dentes decíduos correspondentes.
A literatura descreve duas abordagens cirúrgicas principais para o tratamento dessas lesões:
Enucleação total, tratamento mais radical e associado a maior morbidade cirúrgica, risco de danos ao germe dentário permanente e sangramento;
Marsupialização, abordagem conservadora indicada quando se busca preservar o dente permanente sucessor e permitir a continuidade do desenvolvimento radicular e eventual erupção.
Relato de caso: paciente pediátrico com cisto folicular inflamatório
O caso relatado pelo Prof. Rafael Manfro envolveu um paciente de 9 anos que se apresentou com aumento de volume vestibular em maxila, correspondente à região dos caninos superiores. Exames de imagem evidenciaram lesão radiolúcida unilocular envolvendo as coroas dos caninos permanentes inclusos, associada aos dentes decíduos 53 e 63, ambos apresentando importante reabsorção radicular — achado compatível com cisto folicular inflamatório.
Diante do objetivo de preservar o germe dos dentes permanentes e minimizar impactos funcionais e estéticos futuros, optou-se por uma abordagem minimamente invasiva combinando técnicas cirúrgicas consagradas e ozonioterapia como terapia complementar. O procedimento foi realizado sob sedação endovenosa conduzida por médico anestesiologista, considerando o perfil sistêmico e a colaboração da criança.
Após anestesia local, foi realizada infiltração submucosa de gás ozônio em baixa concentração, visando modulação da inflamação local e controle microbiano inicial. Os dentes decíduos envolvidos foram embebidos em óleo ozonizado antes da exodontia com fórceps, adicionando potencial antimicrobiano e de apoio ao reparo tecidual. Com os dentes decíduos removidos, realizou-se a marsupialização da lesão utilizando o próprio alvéolo como via de descompressão. A cavidade cística foi irrigada com água ozonizada, reforçando o controle local da carga microbiana, e uma esponja de colágeno embebida em óleo ozonizado foi posicionada no interior da cavidade. Suturas com fio absorvível mantiveram a comunicação cística controlada com a cavidade oral.
Ozonioterapia como recurso adjuvante em Odontopediatria
A ozonioterapia é descrita na literatura médica e odontológica como uma terapia complementar com propriedades antimicrobianas, moduladoras da inflamação e potencialmente bioestimuladoras, características relevantes no manejo de lesões císticas em tecidos moles e duros. No caso relatado, o ozônio não substituiu a técnica padrão — a marsupialização permaneceu como tratamento principal — mas atuou como adjuvante em múltiplas etapas do processo cirúrgico e pós-operatório.
No cenário pediátrico, terapias que auxiliam na cicatrização, reduzem a carga microbiana e minimizam a inflamação local são particularmente relevantes, pois contribuem para prognósticos mais favoráveis e menor morbidade, além de favorecer menor uso de antibióticos e anti-inflamatórios, tema frequentemente discutido em saúde infantil.
Relevância clínica e preservação do desenvolvimento dentário
Do ponto de vista clínico, o caso oferece contribuições importantes para profissionais que trabalham com lesões odontogênicas pediátricas:
reforça uma alternativa conservadora à enucleação total;
prioriza a preservação dos dentes permanentes e seu desenvolvimento natural;
integra ozonioterapia em diferentes fases da conduta cirúrgica;
destaca a importância da visão interdisciplinar e planejada;
evidencia o impacto da abordagem minimamente invasiva na Odontopediatria contemporânea.
A Philozon apoia a prática clínica baseada em evidências e o desenvolvimento de terapias complementares seguras e tecnicamente fundamentadas, acompanhando profissionais que buscam inovação responsável no atendimento pediátrico.

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