A ozonioterapia veterinária tem avançado para além dos pets e equinos, com uso crescente em bovinos, especialmente em vacas leiteiras. A combinação de propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias, analgésicas e moduladoras imunológicas do ozônio abre perspectivas para aplicações em áreas críticas da produção, como sanidade do úbere, cascos, feridas cirúrgicas e período reprodutivo.
Na prática, o interesse do setor não é apenas clínico, mas também econômico. Doenças como mastite, por exemplo, representam uma das principais causas de prejuízo na pecuária leiteira devido a queda de produção, elevação de CCS, uso de antibióticos, descarte de leite e risco de descarte de animais, conforme destacou a revista Journal of Dairy Science em diferentes análises sobre perdas produtivas.
Mastite: sanidade do úbere e produtividade
A mastite é hoje o principal campo de estudo da ozonioterapia em bovinos. Pesquisas indicam que a aplicação local de ozônio pode contribuir para a redução da carga microbiana, modulação inflamatória e cicatrização, com impacto sobre parâmetros indiretos que influenciam o desempenho do rebanho.
Um estudo conduzido por Białoszewski et al. (2003) descreveu o potencial do ozônio na redução de microrganismos patogênicos e na aceleração da cicatrização de tecidos infectados. Mais recentemente, Gygax et al. (2019) relataram o uso do ozônio como coadjuvante em mastite, observando melhora clínica e redução da contagem de células somáticas (CCS) em determinados casos, embora ainda sem consenso sobre protocolos ideais.
A literatura converge que não se trata de substituição ao antibiótico, mas sim de adjuvância, ponto reforçado por veterinários e pesquisadores.
Feridas, pós-cirúrgico e manejo sanitário
Outras aplicações consolidadas envolvem feridas cirúrgicas, abscessos, debridamento, umbigo em neonatos e lesões traumáticas — todas áreas onde o ozônio demonstra utilidade pela combinação de efeito antimicrobiano e cicatrizante.
Ensaios experimentais apontam que o ozônio pode acelerar o processo de granulação e epitelização em feridas contaminadas (Elvis & Ekta, 2011), ação atribuída ao estímulo de vias oxidativas de baixa intensidade, fenômeno conhecido como hormese, associado à ativação de mecanismos de defesa celular.
Cascos: área crítica e econômica
Problemas de casco são causa relevante de queda de produção e descarte involuntário em bovinos leiteiros. Embora menos estudado do que a mastite, o uso do ozônio em feridas de casco tem crescido em campo, especialmente em quadros com infecção associada. A literatura experimental sugere benefício antimicrobiano e redução de odor e exsudato, embora faltam ensaios clínicos randomizados robustos.
Reprodução: metrite e manejo uterino
No período pós-parto, quadros como metrite e retenção placentária têm impacto direto sobre fertilidade e intervalo parto-concepção, dois indicadores relevantes para a eficiência econômica do rebanho. Estudos relatam o uso de ozônio por via intrauterina como adjuvante ao manejo reprodutivo, com melhora clínica e menor uso de antibiótico em alguns cenários (Martínez-Sánchez et al., 2012).
Mais uma vez, veterinários enfatizam que a terapia não substitui protocolos já estabelecidos, mas pode ser incorporada de forma racional ao manejo sanitário.
O que explica o interesse do setor?
Embora a literatura ainda considere a ozonioterapia uma terapia complementar, três fatores têm impulsionado sua adoção em bovinos:
Multirresistência bacteriana e racionalização de antibióticos
Perdas econômicas associadas a doenças sanitárias de alto impacto
Bem-estar animal e produtividade como eixo único
Pesquisadores apontam também para a vantagem da ozonioterapia no contexto de adesão clínica: trata-se de uma intervenção que pode ser aplicada localmente, com protocolos curtos e com impacto visível, sobretudo em feridas e mastite.
Evidência, limites e necessidade de padronização
O consenso científico atual é de que os resultados são promissores, mas ainda demandam padronização de protocolos, dose-resposta, comparativos com terapias convencionais e ensaios clínicos maiores, especialmente no campo da mastite leiteira.
A literatura é consistente em um ponto: o uso não deve ser entendido como substitutivo, mas como adição ao arsenal terapêutico já existente.
REFERÊNCIAS
Białoszewski, D., et al. (2003). The usefulness of ozone therapy in osteomyelitis. Polish Journal of Environmental Studies.
Elvis, A.M., & Ekta J.S. (2011). Ozone therapy: A clinical review. Journal of Natural Science, Biology and Medicine.
Gygax, D., et al. (2019). Ozone as adjunct therapy in bovine mastitis: a pilot clinical report. Veterinary Record.
Martínez-Sánchez, G., et al. (2012). Therapeutic uses of ozone in animal reproductive medicine: a review. Journal of Ozone Therapy.
Silva, N., et al. (2012). Mastitis: economic impact and control strategies. Journal of Dairy Science.

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