A remoção de implantes osseointegrados na região posterior da mandíbula é reconhecida como um procedimento de alta complexidade, especialmente quando há proximidade crítica ou contato íntimo com o nervo alveolar inferior (NAI). Nessas situações, o risco de parestesia de lábio e mento figura entre as complicações mais temidas da Implantodontia, com impacto funcional, psicossocial e potencial repercussão médico-legal.
Revisões sistemáticas recentes indicam que implantes posicionados a menos de 1 mm do canal mandibular apresentam risco significativamente maior de alterações neurossensoriais, reforçando a necessidade de planejamento criterioso baseado em exames de imagem e da adoção de técnicas cirúrgicas menos agressivas.
Ozonioterapia e fotobiomodulação como recursos adjuvantes em cirurgia oral
Paralelamente à evolução das técnicas cirúrgicas, recursos terapêuticos adjuvantes como a ozonioterapia e o laser de baixa potência (fotobiomodulação) vêm sendo estudados pelo potencial de modular inflamação, dor e reparo tecidual, sem substituir os princípios clássicos da cirurgia oral e do manejo do NAI.
Na literatura médica e odontológica, o ozônio medicinal é descrito como um agente com propriedades antimicrobianas, imunomoduladoras e bioestimuladoras, características que o tornam um coadjuvante promissor em procedimentos cirúrgicos de risco elevado. Seu uso controlado, em baixas concentrações, está associado à melhora da microcirculação, modulação do estresse oxidativo e estímulo a vias celulares envolvidas na cicatrização.

Relato de caso: abordagem multimodal na remoção de implantes em íntimo contato com o NAI
O cirurgião-dentista Rafael Manfro descreve um relato de caso envolvendo a remoção de implantes mandibulares em íntima relação com o nervo alveolar inferior, utilizando uma abordagem multimodal que integrou:
ultrassom piezoelétrico;
ozonioterapia em diferentes modalidades (gás, água e óleo);
laser de baixa potência.
A paciente apresentava fratura de dois implantes na região posterior da mandíbula direita e um terceiro implante com perda óssea alveolar significativa, inviabilizando sua manutenção. A tomografia computadorizada evidenciou proximidade crítica com o canal mandibular, sendo que o implante mais mesial apresentava contato direto com o NAI.
Diante do elevado risco de lesão neurológica iatrogênica, a remoção dos implantes foi indicada, com adoção de técnicas conservadoras descritas na literatura como estratégias para redução — ainda que não eliminação — do risco de distúrbios neurossensoriais.
Ultrassom piezoelétrico como técnica cirúrgica de escolha
A explantação foi realizada com auxílio de ultrassom piezoelétrico, tecnologia que permite cortes seletivos em tecido mineralizado, com menor agressão a estruturas neurovasculares quando comparada a instrumentos rotatórios convencionais. Estudos experimentais sugerem menor dano ao nervo alveolar inferior em osteotomias piezoelétricas, reforçando sua indicação em áreas anatômicas de risco.
Integração da ozonioterapia no protocolo cirúrgico
No caso relatado, a ozonioterapia foi integrada em diferentes momentos do procedimento, com finalidades específicas:
Gás ozônio em baixa concentração (submucoso)
Aplicado antes da incisão cirúrgica, em pontos submucosos nas regiões mesial e distal, vestibular e lingual.
Objetivo: modular a resposta inflamatória inicial e favorecer a microcirculação local, dentro do conceito de estresse oxidativo leve, associado à ativação de vias como Nrf2 e à supressão de NF-κB, descritas em modelos experimentais de ozonioterapia.
Óleo ozonizado em tecidos moles
Utilizado antes da incisão e do descolamento do retalho, com reaplicação sobre as suturas ao final do procedimento. Também foi prescrito para uso domiciliar, duas vezes ao dia, por pelo menos sete dias.
A literatura descreve que óleos ozonizados combinam ação antimicrobiana com estímulo à cicatrização de tecidos moles, podendo reduzir a carga bacteriana local e melhorar a qualidade do reparo tecidual.
Água ozonizada como irrigante cirúrgico
Empregada durante todo o procedimento para irrigação de tecidos moles e duros, incluindo o uso nas pontas ultrassônicas.
Objetivo: manter o campo operatório com baixa carga microbiana e favorecer o reparo tecidual, em consonância com estudos que apontam redução de inflamação e dor pós-operatória em cirurgias orais.
Após a remoção dos implantes, o gás ozônio em baixa concentração foi reaplicado diretamente nos alvéolos, seguido de nova aplicação de gás e óleo ozonizado sobre as suturas ao final da cirurgia.
Papel da fotobiomodulação na recuperação neurossensorial
A fotobiomodulação tem sido investigada como recurso potencial para modular dor, inflamação e recuperação neurossensorial em lesões do nervo alveolar inferior, especialmente em contextos como extrações de terceiros molares. Embora a evidência científica ainda esteja em consolidação, protocolos de revisão sistemática em andamento sugerem benefícios na recuperação de nervos periféricos em Odontologia.
Desfecho clínico
No terceiro dia de pós-operatório, a paciente relatou apenas discreta alteração sensitiva, sem caracterizar dormência. No sétimo dia, não apresentava qualquer queixa neurossensorial, sugerindo um curso pós-operatório favorável, com preservação funcional do nervo alveolar inferior.
Considerações finais
Este relato de caso demonstra que a associação entre ultrassom piezoelétrico, ozonioterapia em diferentes formas de aplicação e laser de baixa potência pode contribuir para um pós-operatório mais previsível em situações de alto risco para o nervo alveolar inferior, como a remoção de implantes em íntimo contato com o canal mandibular.
Embora se trate de um único caso e de uma evidência ainda em consolidação, o desfecho sem parestesia persistente sugere que essa abordagem multimodal pode atuar como estratégia complementar, sem substituir o planejamento rigoroso, a análise por imagem e as técnicas cirúrgicas consagradas.
Profissionais interessados em aprofundar-se no uso da ozonioterapia como aliada em cirurgias de implantes e procedimentos de risco elevado para o NAI podem buscar a equipe científica da Philozon, com foco em integração segura, previsível e baseada em evidência científica.


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