Quando uma ferida cirúrgica não fecha como esperado, o desafio vai além da sutura. A abertura do retalho, chamada de deiscência, pode expor tecidos e biomateriais, favorecer a contaminação local e comprometer procedimentos reconstrutivos em Implantodontia.
Esse foi o cenário enfrentado em um caso clínico conduzido pelos cirurgiões-dentistas e professores, Rafael Manfro e Maurício Pereira da Rosa. Após duas tentativas malsucedidas de fechamento tardio, os profissionais associaram uma nova abordagem cirúrgica à ozonioterapia. A evolução foi favorável, com fechamento completo da ferida e reparação satisfatória dos tecidos moles.
O desafio: exposição óssea e deiscência persistente
O paciente foi encaminhado após apresentar dificuldade recorrente de fechamento do retalho durante a fase de reabertura cirúrgica. Na nova intervenção, foi realizada ampla mobilização dos tecidos para reduzir a tensão sobre a sutura, além da remoção das áreas contaminadas.
O protocolo associou aplicação controlada de ozônio medicinal, irrigação do campo cirúrgico com água ozonizada e uso tópico de óleo ozonizado no pós-operatório. Todas as etapas foram incorporadas ao planejamento cirúrgico com o objetivo de auxiliar a descontaminação do leito e favorecer condições locais mais adequadas à reparação.
O objetivo não era substituir os princípios cirúrgicos, mas contribuir para a descontaminação e proporcionar um ambiente biológico mais favorável à reparação.
Pioneira no desenvolvimento de tecnologias para ozonioterapia no Brasil, a Philozon atua na produção de equipamentos destinados à geração controlada de ozônio medicinal, contribuindo para a padronização e a segurança dos protocolos realizados por profissionais habilitados.
Como a ozonioterapia contribuiu?
O ozônio medicinal apresenta atividade antimicrobiana e pode interagir com mecanismos relacionados à modulação da resposta inflamatória e à bioestimulação de células dos tecidos bucais. Uma revisão sistemática sobre feridas da mucosa oral também encontrou resultados favoráveis em determinados desfechos de cicatrização e controle da dor, embora os estudos avaliados envolvam condições diferentes da deiscência peri-implantar apresentada neste caso.
Na Implantodontia, uma revisão sistemática identificou possíveis benefícios do uso adjuvante do ozônio, mas destacou a heterogeneidade dos protocolos e o risco de viés das pesquisas disponíveis. Portanto, a ozonioterapia deve ser compreendida como terapia complementar, e não como garantia isolada de cicatrização.
Neste relato, a associação entre descontaminação local, redução da tensão do retalho e suporte biológico da ozonioterapia foi seguida pelo fechamento completo dos tecidos. Como se trata de um único caso, não é possível atribuir o resultado exclusivamente ao ozônio. Ainda assim, a evolução demonstra sua utilidade clínica quando integrada a um planejamento cirúrgico criterioso.
O procedimento completo pode ser acompanhado no vídeo demonstrativo produzido pelo Dr. Rafael Manfro.
Experiência clínica e uso responsável
A condução desse tipo de caso exige experiência cirúrgica, domínio dos princípios de cicatrização e conhecimento específico sobre a aplicação do ozônio medicinal. O protocolo foi realizado pelos cirurgiões-dentistas Rafael Manfro, especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial, mestre e doutor em Implantodontia, e Maurício Pereira da Rosa, especialista em Implantes Dentários e Ortodontia e mestre em Implantodontia.
No Brasil, a ozonioterapia é reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia, inclusive como recurso complementar em procedimentos cirúrgicos voltados ao reparo tecidual. Sua aplicação deve ser feita por profissionais capacitados, com indicação individualizada e uso de equipamentos regularizados.
O caso demonstra que a ozonioterapia pode ampliar as estratégias disponíveis diante de deiscências complexas. Integrada à descontaminação, ao manejo adequado dos tecidos e ao fechamento sem tensão, ela pode contribuir para condições locais mais favoráveis à cicatrização e para maior previsibilidade clínica.
3. Referências Científicas:
- Veneri F, Filippini T, Consolo U, Vinceti M, Generali L.Ozone therapy in dentistry: An overview of the biological mechanisms involved.Biomedical Reports. 2024.PubMed.
- Maglia DR, et al.Efficacy of ozone therapy for oral mucosa wound healing: a systematic review and meta-analysis. 2024.PubMed.
- Randi CJ, et al.Use of ozone therapy in Implant Dentistry: a systematic review.Oral and Maxillofacial Surgery. 2024;28(1):39–49.PubMed.
- Conselho Federal de Odontologia.Resolução CFO nº 166/2015 — Regulamento sobre o exercício da Ozonioterapia pelo cirurgião-dentista.Documento oficial

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