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Ozonioterapia em doenças de pele: mecanismos celulares e moleculares

Ozonioterapia em doenças de pele

As doenças de pele apresentam causas multifatoriais complexas, de forma que os tratamentos atuais muitas vezes não apresentam completa eficácia na recuperação destas patologias. Além disso, efeitos colaterais significativos podem ser experienciados durante os tratamentos convencionas, resultando em adversidades físicas e psicológicas a longo prazo.

Considerando isso, o estudo de Liu et. al. (2022) tem como objetivo esclarecer os efeitos biológicos e os potenciais mecanismos moleculares do ozônio em doenças cutâneas. Este estudo também fornece evidências teóricas para aplicações clínicas de ozônio.

Há diversas formas de aplicação do ozônio na dermatologia, sendo as principais nas formas tópicas, como a água ozonizada, usada principalmente para reparação e limpeza da pele e o óleo ozonizado que é capaz de promover ação antimicrobiana e cicatrizante. Além das formas tópicas, a auto-hemoterapia com ozônio é uma possibilidade para aumentar a resposta antioxidante do organismo, como uma estratégia empregada também no controle do envelhecimento da pele.

Na literatura, há evidências da ação antioxidante do ozônio no organismo, através da lipoperoxidação e da formação de peróxidos de hidrogênio, estes componentes são responsáveis por inibir a conjugação da via Keap 1 com o Nrf2. O Nrf2 é o regulador e protetor das células contra o estresse oxidativo, enquanto o Keap 1 é o seu inibidor, com isso, a ação do ozônio diminui a ação da via Keap 1, permitindo a ação do Nrf2 no aumento da resposta antioxidante das células.

O ozônio é capaz de promover a regulação do sistema imune durante o tratamento de doenças de pele, através da ativação de células T e da estimulação da liberação de citocinas, como interferon e interleucinas (IL) para desencadear a citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos (ADCC). Por outro lado, o ozônio também reduz a expressão de citocinas pró-inflamatórias, através da inibição da via NF-κB, reduzindo assim a inflamação do organismo. Estes mecanismos são essenciais em casos como os de psoríase, pois esta doença está diretamente relacionada ao sistema imune.

Infecções de pele por agentes microbianos são muito comuns, assim, o ozônio é um potencial agente terapêutico, já que apresenta amplo espectro antimicrobiano contra bactérias, fungos e vírus, devido à grande capacidade oxidante da molécula de ozônio que atinge as partes mais sensíveis ao processo oxidativo, como os lipídios e proteínas, danificando estruturas que são fundamentais para a sobrevivência destes seres.

Há evidências de que o ozônio proporciona o reequilíbrio do microbioma da pele, tanto na forma tópica, como também pela ação imunorreguladora, sendo capaz de eliminar microrganismos oportunistas, restaurando a diversidade microbiológica, principalmente em lesões de dermatite atópica.

O ozônio é essencial nos processos de cicatrização da pele, devido à grande capacidade de aumentar o tecido de granulação, intensificar o progresso do reparo tecidual e estimular a angiogênese, através do aumento da expressão de proteínas do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), do fator de crescimento transformador beta (TGF-β) e do fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF). A ozonioterapia também proporciona o estímulo para a migração de fibroblastos através da via PI3K/Akt/mTOR, como também melhora a oxigenação do tecido.

Os autores concluíram que o ozônio tem capacidade de ativar os sistemas antioxidante e imunológico no organismo. Assim, a ozonioterapia é promissora em aplicações clínicas, pois apresenta propriedades antimicrobianas, melhora da microcirculação e diminuição da dor, além de potencial na melhora do microbioma da pele e no antienvelhecimento. Portanto, o ozônio tem potencial de ser um excelente tratamento complementar para doenças cutâneas, embora seja necessário elucidar mais os mecanismos moleculares para a aplicação da ozonioterapia.⠀

Clique aqui e faça download do artigo. 

Referência:

Liu L, Zeng L, Gao L, Zeng J, Lu J. Ozone therapy for skin diseases: Cellular and molecular mechanisms. Int Wound J. 2022 Dec 16. doi: 10.1111/iwj.14060. Epub ahead of print. PMID: 36527235.

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