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Ozonioterapia em um Paciente com MELAS: Um Estudo de caso de 17 Anos

Um estudo pioneiro publicado neste ano apresentou uma abordagem exploratório ao investigar a segurança e eficácia da Ozonioterapia sistêmica em um paciente diagnosticado com Encefalomielopatia Mitocondrial, Acidose Lática e Episódios Semelhantes a Acidente Vascular Cerebral (MELAS).

Romanello, Rotunno e Martinelli (2023), compartilham os resultados de um acompanhamento ao longo de 17 anos, fornecendo insights valiosos sobre a aplicação clínica dessa terapia em uma condição rara e desafiadora.

 

MELAS

A MELAS é uma síndrome mitocondrial rara que se caracteriza por encefalopatia progressiva, miopatia, episódios semelhantes a acidente vascular cerebral e acidose lática. Até o momento, não há tratamentos definitivos disponíveis para essa condição complexa. O artigo destaca a falta de abordagens terapêuticas específicas para a MELAS e a ausência de estudos sobre a aplicação da Ozonioterapia nesse contexto.

 

O Caso

O caso em análise refere-se a um paciente de 10 anos de idade diagnosticado com MELAS, que inicialmente apresentou episódios de convulsões e hemiparesia. O diagnóstico foi confirmado por meio de testes genéticos que identificaram a mutação MELAS (3243 A<G) em 50% das moléculas de DNA mitocondrial (mtDNA).

Após diversas hospitalizações devido a exacerbações da doença, o paciente iniciou a Ozonioterapia sistêmica em 2003. A frequência variou ao longo do tempo, desde duas vezes por semana por quatro meses até uma vez a cada 28 dias posteriormente. O paciente também recebeu acompanhamento no Day Hospital de Neurologia do Hospital Bambino Gesù, continuando apenas com a terapia antiepiléptica e ajustes na medicação ao longo do tempo

Em 2011, o paciente continuou a receber Ozonioterapia a cada 28 dias, mantendo as dosagens e o volume sanguíneo consistentes. O protocolo terapêutico envolveu mais de 280 sessões ao longo de 17 anos, com acompanhamento regular e monitoramento detalhado da evolução clínica.

Durante todo o período de observação, o paciente alcançou um desenvolvimento normal, considerando os desafios neurológicos decorrentes dos eventos isquêmicos cerebrais relatados, atingindo uma altura de 160 cm e um peso de 55 kg.

 

O ozônio como possibilidade

Os resultados obtidos destacam a notável estabilidade da condição clínica do paciente ao longo de 17 anos de tratamento com mais de 280 sessões de Ozonioterapia. Essa estabilidade, marcada pela ausência de eventos isquêmicos e convulsões durante o período de observação, sugere que a Ozonioterapia pode oferecer benefícios terapêuticos sustentáveis. Este resultado é particularmente significativo, considerando a natureza progressiva e desafiadora da MELAS e a falta de opções de tratamento definitivas.

A proposta dos autores sobre os possíveis mecanismos de ação dessa terapia adiciona uma camada de compreensão à sua eficácia aparente. A hipótese de que a Ozonioterapia melhora a eficiência da cadeia oxidativa mitocondrial, através da indução de enzimas antioxidantes, influencia na aceleração da glicólise durante o tratamento, sugerindo uma interação específica entre o ozônio e os processos bioquímicos mitocondriais.

No nível mitocondrial, a mutação 3243 A<G, presente no paciente e comumente associada à MELAS, implica uma interrupção prematura da transcrição, prejudicando a síntese de proteínas mitocondriais e a produção de ATP. A Ozonioterapia parece desempenhar um papel positivo nesse cenário, otimizando a utilização de oxigênio na cadeia respiratória mitocondrial. O aumento da eficiência na geração de ATP pode ser um dos principais contribuintes para a estabilidade observada na condição clínica do paciente.

A discussão também abrange a influência do ozônio em processos biológicos específicos, como o aumento do fluxo sanguíneo e da oxigenação do tecido isquêmico. Os efeitos concomitantes de óxido nítrico (NO) e monóxido de carbono (CO), juntamente com a elevação intraeritrocitária dos níveis de 2,3-DPG, podem desempenhar um papel crucial na promoção da homeostase tecidual e na resposta adaptativa às condições isquêmicas.

Além disso, os autores discutem a possível contribuição da Ozonioterapia para a regulação do estresse oxidativo e da resposta imunológica. A indução de enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase, peroxidase e catalase, durante a Ozonioterapia pode representar uma estratégia adicional para mitigar os danos causados pelo estresse oxidativo associado à MELAS.

 

Após 17 anos 

O paciente após as mais de 280 sessões de Ozonioterapia ao longo de 17 anos, não apresentou efeitos adversos durante o tratamento. A estabilidade da condição clínica, a ausência de novos eventos isquêmicos e convulsões, e a normalidade nos exames de rotina são indicativos positivos da segurança e eficácia dessa abordagem.

Dada a falta de terapias definitivas para a MELAS, qualquer intervenção terapêutica é direcionada para fornecer suporte ao paciente. Nesse contexto, a Ozonioterapia emerge como uma opção promissora, principalmente devido à sua natureza não invasiva, e ao seu efeito sistêmico.

 

Implicações Clínicas e Conclusões:

A falta de tratamentos definitivos para a MELAS torna a Ozonioterapia uma alternativa intrigante. No entanto, os autores ressaltam a necessidade de ensaios clínicos mais amplos e estudos controlados para validar e generalizar esses resultados.

A implicação clínica dessa pesquisa transcende o âmbito da MELAS e pode influenciar o campo mais amplo das doenças mitocondriais. A Ozonioterapia emerge como um potencial divisor de águas, oferecendo uma abordagem não invasiva, não agravante, sendo uma possibilidade para que pode complementar o tratamento dessa condição dentro as limitadas opções terapêuticas.

 

Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui e faça o download do documento completo.

Referência:

ROMANELLO, D.; ROTUNNO, S.; MARTINELLI, M. Long-Term Safety of Systemic Ozone Therapy in a Patient With Mitochondrial Encephalomyopathy, Lactic Acidosis, and Stroke-Like Episodes (MELAS). Cureus, 4 nov. 2023.

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