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O ozônio é sempre tóxico?

Bocci (2006) realizou um estudo com o objetivo de avaliar a questão controversa da toxicidade do ozônio, abordando as características topográficas, anatômicas e bioquímicas dos órgãos expostos diariamente ao ozônio versus a potente capacidade antioxidante do sangue exposto a uma dose pequena e precisamente calculada de ozônio por apenas alguns minutos. Com o intuito de responder a questão: o ozônio é sempre tóxico? 

O ozônio (O3) tornou-se um gás famoso porque, na estratosfera, bloqueia a irradiação ultravioleta excessiva da terra, enquanto, na troposfera, associada a vários outros poluentes, danifica as funções pulmonares e pode levar a doenças graves. Existem inúmeros estudos mostrando que a inalação prolongada de ozônio prejudica o sistema respiratório e os órgãos extrapulmonares.

No nível do espaço aéreo, as células alveolares são constantemente sobrepostas por um filme composto de água, sais e uma infinidade de biomoléculas, como uma profusão de fosfolipídios surfactantes e pequenas quantidades de proteínas, antioxidantes lipofílicos e hidrofílicos. Qualquer gás inspirado, dependendo de sua concentração e pressão relativa, deve primeiro se dissolver nesta camada aquosa antes de atingir a microcirculação alveolar e os eritrócitos. Este processo implica em um transporte físico regulado por um gradiente de pressão e um processo de difusão. Por outro lado, sabe-se que o ozônio, em contato com a água biológica, não segue a lei de Henry e, embora sua solubilidade seja dez vezes maior que o oxigênio, não é transferido para os capilares alveolares porque reage imediatamente com as biomoléculas presentes no fluido de revestimento epitelial (ELF).

Desta forma, nas vias respiratórias o ozônio não penetra nas células, mas oxida os antioxidantes disponíveis e reage instantaneamente com os ácidos graxos poliinsaturados do surfactante (PUFA) presentes na interface ar-ELF para formar espécies reativas de oxigênio (ERO/ROS), como peróxido de hidrogênio e uma mistura de produtos de ozonização lipídica (LOPs) heterogêneos, incluindo radicais lipoperoxil, hidroperóxidos, malonyldialdeído, isoprostanos, o radical ozonídeo.

O ponto mais importante a ser destacado é que embora diferentes partes do trato respiratório possam ter níveis diferentes de antioxidantes, elas sempre são irrelevantes em comparação à quantidade de antioxidantes presentes no sangue, que facilmente domam a reatividade do ozônio. Assim, a inalação do ozônio troposférico prolongado danifica o sistema respiratório e os órgãos extrapulmonares. A pele, se extensivamente exposta, também pode contribuir para os danos.

Nesta base, os danos se estabelecem através dos ROS e LOPs gerados pelo ozônio no nível fluido de revestimento epitelial, que depois de terem sido parcialmente extintos pelos escassos antioxidantes, atuam como sinais celulares capazes de ativar o fator nuclear kappa B (NFkappaB), óxido nítrico sintase algumas proteínas cinases, melhorando assim a síntese e liberação de TNF-alfa, IL-1, IL-8, IFN-gama e TGFbeta1 e a possível formação de espécies nitrantes. Com um aumento crescente no espaço alveolar de neutrófilos e macrófagos ativados, um círculo vicioso começa, perpetuando a produção de um excesso de ROS, incluindo também ácido hipocloroso, LOPs, isoprostanos, taquiquininas, citocinas e proteases, que manterão a inflamação após exposição ao ozônio. As ROS têm uma meia-vida muito breve e provavelmente atuam apenas no microambiente pulmonar, enquanto os LOPs tóxicos, particularmente HNE e citocinas pró-inflamatórias, podem ser absorvidos continuamente.

É fundamental reforçar que estes efeitos tóxicos do ozônio estão relacionados ao sistema pulmonar. Em outras vias e órgãos, ao ozônio entrar em contato com o sangue ou fluídos intersticiais o estresse oxidativo gerado é pequeno e modifica apenas temporariamente e reversivelmente a homeostase redox celular, devido à ampla atividade antioxidante desempenhada por elementos antioxidantes presentes no plasma sanguíneo e células como eritrócitos.

A forte reatividade indubitável do ozônio contribuiu para estabelecer o dogma de que o ozônio é sempre tóxico e sua aplicação médica deve ser proibida. A ozonioterapia praticada criteriosamente está se tornando muito útil por si só ou aplicada em combinação com a medicina ortodoxa em uma ampla gama de patologias. Os oponentes da ozonioterapia baseiam seus julgamentos na química do ozônio, e os médicos, sem nenhum conhecimento do problema, costumam ser céticos.

Os vários estudos de Bocci et al., mostram que a exposição do sangue humano à uma mistura gasosa composta de oxigênio medicinal e ozônio (96 e 4%, respectivamente), ambos os gases presentes na fase sobrepondo uma camada superficial de cerca de 10 ? de sangue, dissolvem-se primeiro na água do plasma. O ozônio, mais solúvel que o oxigênio, se dissolve rapidamente na água e reage instantaneamente com vários substratos, oxidando ácido ascórbico, urato, cisteína livre, moléculas de GSH e grupos de albumina e tiol. Após esta reação com antioxidantes e ácidos graxos poli-insaturados (PUFA) presentes no plasma, são formados os mediadores químicos do ozônio, que incluem: o recém-formado peróxido de hidrogênio (H2O2) e um número heterogêneo de produtos de oxidação lipídica (LOPs). Embora a reação do ozônio com sangue ou ELF seja um pouco semelhante, existem profundas diferenças em relação à quantidade e composição de componentes e antioxidantes.

Nos últimos 15 anos, obteve-se uma compreensão clara da ação do ozônio na biologia e na medicina, permitindo hoje discutir se é verdade que o ozônio é sempre tóxico. Além disso o autor mostra evidências de que a terapia com oxigênio-ozônio se comporta de maneira semelhante quando essa mistura gasosa entra em contato com a pele humana úmida e a mucosa cólon-retal, gerando peróxido de hidrogênio (H2O2), possivelmente outros ROS e produtos de ozonização lipídica (LOPs). Apenas os LOPs são absorvidos através de vasos linfáticos e capilares venosos, atingem primeiro o fígado e depois entram na circulação geral.

Portanto o autor conclui que o sistema respiratório submetido a um estresse oxidativo crônico pode liberar lentamente, mas de maneira constante, uma enorme quantidade de compostos tóxicos capazes de entrar na circulação e causar sérios danos. Porém, não se deve confundir ou associar estes efeitos tóxicos da inalação o ozônio com a ozonioterapia utilizada de forma tópica ou sistêmica, realizada a fim de promover os efeitos benéficos do ozônio de imunomodulação, ação anti-inflamatória e ação antimicrobiana. Nestas vias, desde que realizada por profissional da área da saúde com conhecimento e dentro de uma janela terapêutica, o potencial antioxidante do sangue não permite que sejam gerados compostos tóxicos ao organismo humano.

BOCCI, V. Is it true that ozone is always toxic? The end of a dogma. Toxicol. Appl. Pharmacol., New York, v.216, n.3, p.493-504, 2006.

ACESSE O CONTEÚDO COMPLETO AQUI

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