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Ozônio na saúde: alguns pontos para reflexão-Lamberto Re

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A saúde está mudando e o ozônio é parte dessa mudança

Nos últimos anos, observamos um aumento significativo na busca por abordagens integrativas e complementares na saúde, que priorizem tratamentos menos invasivos e mais alinhados com o processo fisiológico do corpo para enfrentar diversas doenças. Essa mudança de paradigma reflete uma nova visão da saúde, que enfatiza a prevenção, promoção e recuperação da saúde, em vez de apenas combater sintomas e doenças isoladas.

Nesse cenário, o ozônio se destaca como uma opção terapêutica versátil que pode atuar em diversos níveis do organismo, do molecular ao sistêmico. Sua capacidade de modular a resposta celular ao estresse oxidativo, um fator comum em várias patologias, torna-o uma ferramenta promissora no arsenal terapêutico.

Apesar desses benefícios potenciais, a disseminação mais ampla do tratamento com ozônio enfrenta desafios significativos, a falta de compreensão de seus mecanismos de ação se torna uma barreira para uma ampla aceitação dos seus benefícios.

Em seu artigo “Ozônio na Saúde: Alguns Pontos para Reflexão”, Lamberto Re (2022) nos propõe uma compreensão aprofundada dos mecanismos de ação do ozônio na medicina, baseados na literatura científica e na sua própria experiência clínica.

 

O ozônio ativa importantes vias da fisiologia do nosso organismo

O estudo conduzido por Lamberto Re (2022) revisa aspectos cruciais para o entendimento dos efeitos do ozônio no organismo. A priori somos direcionados a intrínseca relação existente entre os mamíferos e o oxigênio. Para além da respiração celular, aprofundamos nos receptores que exercem regulação deste processo, a via metabólica conhecida como HIF-1α, desempenhando um papel crucial no controle do nível de oxigênio intracelular. A sua ativação ocorre em situações de hipóxia, caracterizadas por uma baixa disponibilidade de oxigênio. Este fator de transcrição regula a expressão de genes envolvidos na adaptação ao estresse hipóxico, como angiogênese, glicólise, eritropoiese e proteção celular.

Dentro desse processo o fator Nrf2, identificado por Moi et al. (1994), é responsável por regular positivamente genes responsáveis pela codificação de enzimas antioxidantes, que por sua vez, desempenham um papel crucial na neutralização de radicais livres, prevenindo danos oxidativos às células. O Nrf2 é considerado um “Mestre Regulador” da homeostase oxidativa e da resposta citoprotetora, atuando como um sensor e efetor do estresse oxidativo.

Sagai e Bocci (2011) e Re et al. (2014), demonstraram a ativação do Nrf2 em resposta à terapia com ozônio, evidenciando elevações nos níveis de Nrf2, enzimas antioxidantes e glutationa no sangue e tecidos de pacientes tratados. Lamberto Re (2022) esclarece essa grande complexidade de processos em seu artigo. O ozônio pode influenciar o Nrf2 por meio de um mecanismo indireto, envolvendo a indução de estresse oxidativo trasnsitório. Ao entrar em contato com fluidos biológicos, o ozônio gera espécies reativas de oxigênio (EROs), como peróxido de hidrogênio, radical hidroxila e óxido nítrico. Estas EROs têm a capacidade de oxidar proteínas inibidoras do Nrf2, a exemplo da Keap1, permitindo que o Nrf2 se transloque para o núcleo e ative os genes antioxidantes. Neste sentido, o ozônio pode estimular uma resposta adaptativa que amplia a capacidade das células de lidar com o estresse oxidativo.

Esta modulação fisiológica que o ozônio promove difere dos medicamentos convencionais que apresentam ações diretas sobre receptores específicos no organismo. Para isso, Re (2022) propõe a necessidade de elaborar um novo protocolo de pesquisa para avaliar o ozônio na saúde, levando em consideração fatores como o estado oxidativo total (TOS) e o estado antioxidante total (TAS) dos pacientes, os quais podem influenciar o impacto e a ação do ozônio. Em síntese, Lamberto Re (2022) destaca as complexidades envolvidas na determinação da eficácia terapêutica do ozônio e na otimização dos protocolos de tratamento, em comparação com abordagens antioxidantes diretas, através da elucidação dos seus processos fisiológicos e bioquímicos.

 

Revendo um pouco dos processos clínicos

As aplicações clínicas do ozônio, especialmente no contexto da Saúde Sistêmica, devem ser pensadas da mesma forma como são propostas as análises bioquímicas e fisiológicas. Re (2022) destaca a necessidade de doses personalizadas, considerando que o processo adaptativo ocorre com estímulos oxidativos que não devem ultrapassar o limiar de toxicidade dos tecidos individuais onde o ozônio é administrado. Elucidando a variação significativa nas concentrações utilizadas, por exemplo, de 5 µg/ml em uma aplicação local intradérmica a 40 µg/ml na terapia sistêmica intravenosa, é explicada pela diferente capacidade antioxidante dos tecidos individuais, sendo baixa na pele e alta no sangue.

Além disso, nas aplicações sistêmicas do ozônio, Lamberto Re (2022) ressalta a importância da administração de oligoelementos como selênio, manganês, cobre ou aminoácidos como a arginina, que são cofatores essenciais para uma resposta antioxidante ideal no nível mitocondrial, devendo ser administrados antes dos tratamentos com ozônio. Também traz a possibilidade de uso simultâneo de agentes que promovem o mesmo efeito do ozônio, como antioxidantes (vitamina C, glutationa), enfatizando que a sua administração ocorre apenas após o tratamento.

Essas considerações buscam otimizar a eficácia terapêutica do ozônio, levando em conta as características individuais dos pacientes e a variabilidade nas respostas dos tecidos aos estímulos oxidativos.

 

Um desafio que nos instiga a inovar

Lamberto Re (2022), a partir da complexidade do ozônio e sua interação com o corpo, contrapõe a visão de que o ozônio é sempre tóxico, destacando a necessidade de considerar as bases mais simples de toxicologia e fisiologia humana.

De forma inovadora, ele propõe uma abordagem diferente para a validação clínica de tratamentos, baseada no estudo dos mecanismos da fisiopatologia em vez de sintomas isolados. Esta seria a essência da Saúde integrativa. Ou seja, uma abordagem sistêmica deve ser considerada para estudos que desejem progredir nos aspectos benéficos do Ozônio.

Assim, Lamberto em mais um de seus trabalhos mostra um caráter incitativo para a comunidade científica a reavaliar seriamente o uso do ozônio em protocolos e métodos de pesquisa levando em consideração suas características sistêmicas. E inova ao enfatizar a necessidade de novos métodos e procedimentos para, não só avaliar os benefícios do ozônio em diversas doenças, mas para repensar a forma como abordamos a saúde, e buscar assim, um conhecimento mais abrangente. Re (2022) reconhece que através da mudança de paradigma para uma visão mais sistêmica e evolução científica, é possível superar as barreiras ortodoxas e não só possibilitar o ozônio como terapêutica viável e aceita, mas para uma melhora geral na forma como nós abordamos o corpo humano e seu processo de saúde e doença.

Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui e faça o download do documento completo.

 

Referência:

RE, L. Ozone in Medicine: A Few Points of Reflections. Frontiers in Physiology, v. 13, 23 fev. 2022.

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